Uma coçadinha aqui, outra ali… completamente normal.
Agora, quando o cachorro começa a coçar, lamber, morder a pele e esfregar o corpo pelos móveis como se tivesse descoberto uma nova modalidade esportiva, alguma coisa merece atenção. 😂
E normalmente vem a primeira suspeita:
“Doutora, acho que ele está com alergia.”
Pode estar.
Mas coceira não é sinônimo de alergia — e descobrir o motivo é justamente a parte mais importante.
Primeiro: quanto ele está se coçando?
Todo cachorro se coça de vez em quando.
O que chama nossa atenção é quando a coceira começa a ocupar uma parte considerável do dia ou muda o comportamento do animal.
Ele acorda para se coçar?
Interrompe uma brincadeira para morder a pata?
Passa muito tempo lambendo a mesma região?
Está arrancando pelos?
A pele começou a ficar vermelha ou machucada?
Se você já está olhando para ele e pensando “meu Deus, esse cachorro não para de se coçar”, provavelmente vale investigar. 😅
Pode ser pulga mesmo sem eu encontrar nenhuma?
Pode.
E essa é uma das frases que mais ouvimos:
“Mas ele não tem pulga, eu já procurei!”
Infelizmente, as pulgas não costumam aguardar calmamente uma inspeção para serem identificadas.
Além disso, alguns animais são muito sensíveis às picadas. Nesses casos, uma quantidade pequena de pulgas pode provocar uma reação importante.
Por isso, não encontrar uma pulga passeando tranquilamente pelo cachorro não é suficiente para eliminá-la da lista de suspeitas.
E alergia?
Sim, alergias também podem causar bastante coceira.
Alguns cães podem apresentar alergias relacionadas ao ambiente, às picadas de pulgas ou a componentes da alimentação, entre outras possibilidades.
O problema começa quando toda coceira vira automaticamente:
“Deve ser a ração.”
E aí começa a peregrinação.
Troca a ração.
Troca novamente.
Compra uma “natural”.
Tira o frango.
Coloca o frango de volta.
E três meses depois temos um cachorro que continua se coçando e um tutor que conhece praticamente todas as rações disponíveis no mercado. 😂
Alterações alimentares podem fazer parte da investigação em alguns pacientes, mas precisam ser feitas de maneira organizada. Caso contrário, fica difícil descobrir se alguma mudança realmente fez diferença.
Fungos e bactérias também podem entrar nessa história
Quando o cachorro se coça e lambe muito uma região, a própria pele pode ficar irritada e lesionada.
E uma pele inflamada perde parte da sua proteção natural.
Com isso, microrganismos que normalmente vivem na pele podem se multiplicar demais e provocar infecções secundárias, aumentando ainda mais a coceira.
Forma-se aquele ciclo nada divertido:
coça → machuca → inflama → coça ainda mais.
Por isso, às vezes não existe apenas uma causa acontecendo ao mesmo tempo.
E aquelas patas que ele não para de lamber?
Também merecem atenção.
Lamber as patas ocasionalmente é uma coisa. Passar boa parte do dia mordiscando os dedos e deixando as patas constantemente úmidas é outra.
Alergias podem estar envolvidas, mas também existem outras possibilidades, como irritações, infecções, dor, corpo estranho e até questões comportamentais.
Por isso, simplesmente impedir o cachorro de lamber não necessariamente resolve o motivo pelo qual ele começou.
É como desligar o alarme sem procurar onde está a fumaça.
Posso dar um antialérgico?
Esse é outro ponto delicado.
Existem medicamentos capazes de diminuir a coceira, mas parar de coçar não significa que descobrimos a causa.
Dependendo do problema, o animal pode melhorar temporariamente e depois voltar a apresentar os mesmos sinais.
Além disso, medicamentos não devem ser administrados sem orientação, principalmente aqueles que já estavam guardados em casa porque “ele tomou uma vez”.
A ideia não é apenas deixar o cachorro menos incomodado.
É entender por que ele está incomodado.
Algumas pistas podem ajudar bastante
Antes da consulta, observe onde seu cachorro mais se coça.
Patas? Barriga? Orelhas? Lombar? Corpo inteiro?
Também repare se existe vermelhidão, queda de pelo, feridas, cheiro diferente na pele ou alterações nas orelhas.
E tente lembrar quando tudo começou.
Foi depois de um passeio?
Acontece sempre em determinada época do ano?
Começou depois de alguma mudança?
Existe outro animal na casa se coçando?
Essas pequenas informações podem ajudar bastante durante a investigação.
No fim, coceira é um sintoma — não um diagnóstico
Pode ser pulga.
Pode ser alergia.
Pode existir uma infecção.
Pode haver mais de uma coisa acontecendo ao mesmo tempo.
E é exatamente por isso que aquele tratamento que funcionou maravilhosamente no cachorro da sua amiga pode não fazer absolutamente nada pelo seu.
Cada pele conta uma história diferente.
Se a coceira está frequente, causando feridas, queda de pelos ou simplesmente deixando seu cachorro desconfortável, vale investigar antes que o problema vire um ciclo cada vez maior.
A Arca de Noé 24h, em Santos, está disponível todos os dias para avaliação de cães e gatos.
Porque uma coçadinha é normal.
Virar contorcionista profissional para alcançar aquela coceira nas costas… talvez não. 😂🐾
