Você já ouviu alguém dizer:
“Mas ele sempre tomou esse remédio e deu certo.”
Ou então:
“Meu outro cachorro tomou igualzinho.”
A verdade é que, na medicina veterinária, idade faz muita diferença. O tratamento ideal para um filhote pode não ser o mesmo para um adulto. E aquilo que funciona muito bem em um adulto saudável pode até representar um risco para um idoso.
É por isso que não existe receita pronta quando falamos da saúde dos nossos pets.
Filhotes não são adultos em miniatura
Apesar da energia inesgotável (e da incrível capacidade de encontrar exatamente aquilo que não deveriam colocar na boca 😅), os filhotes ainda estão em desenvolvimento.
O organismo deles funciona de forma diferente. Fígado, rins, sistema imunológico e metabolismo ainda estão amadurecendo.
Por isso, durante essa fase, o veterinário costuma ter um cuidado especial com:
- doses de medicamentos;
- protocolo vacinal;
- vermifugação;
- alimentação;
- desenvolvimento ósseo;
- prevenção de doenças.
Além disso, alguns sinais clínicos evoluem muito mais rapidamente em filhotes. Um quadro de diarreia, por exemplo, pode causar desidratação importante em pouco tempo.
Adultos: a fase em que nem tudo é “só uma virose”
Quando o pet chega à vida adulta, muitos tutores acabam relaxando um pouco.
As vacinas já foram feitas, ele parece saudável e a impressão é que só precisa ir ao veterinário quando algo acontece.
Mas é justamente nessa fase que começam a aparecer algumas doenças silenciosas.
Alterações hormonais, problemas de pele, doenças cardíacas, cálculos urinários, alterações ortopédicas e até doenças renais podem começar sem grandes sinais.
Por isso, consultas de rotina e exames periódicos continuam sendo importantes.
E quando chegam os idosos…
É nessa fase que ouvimos uma frase quase todos os dias na clínica:
“Achei que era só velhice.”
Sim, é verdade que envelhecer traz mudanças naturais.
O pet pode dormir mais, brincar menos e ficar um pouco mais lento.
Mas dor não faz parte do envelhecimento normal.
Perda importante de peso, aumento do consumo de água, dificuldade para levantar, tosse, alterações na visão ou mudanças bruscas de comportamento merecem investigação.
Muitas dessas alterações têm tratamento e, quanto mais cedo forem descobertas, melhor costuma ser a qualidade de vida do paciente.
A idade também muda a forma de tratar
Além do diagnóstico, a idade influencia praticamente todas as decisões do veterinário.
Um mesmo medicamento pode ter doses diferentes dependendo da fase da vida.
Antes de uma cirurgia, por exemplo, um paciente idoso normalmente precisa de uma avaliação mais completa para verificar como estão órgãos como coração, fígado e rins.
Até a anestesia costuma ser planejada de forma individual, levando em consideração muito mais do que apenas o peso do animal.
Cada fase merece um cuidado diferente
O objetivo não é tratar um filhote, um adulto e um idoso da mesma forma.
É oferecer o cuidado que faz mais sentido para aquele momento da vida.
Na Clínica Veterinária Arca de Noé 24 Horas, em Santos, cada consulta começa entendendo quem é aquele paciente.
A idade, o histórico, o estilo de vida, as doenças anteriores e até pequenas mudanças percebidas pelo tutor ajudam a definir o melhor caminho para o tratamento.
Porque, no fim das contas, um cachorro de três meses, um gato de cinco anos e um cão de quatorze anos podem apresentar o mesmo sintoma… mas raramente terão exatamente a mesma abordagem.
